A ESSÊNCIA DO EGO – Queixas e Ressentimentos

Publicado por Selma José em 17 janeiro 2012 às 16:39 em Eckhart Tolle

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Queixar-seé uma das estratégias prediletas do ego para se fortalecer. Cada reclamação éuma pequena História e na qual acreditamos inteiramente. Não importa se ela éfeita em voz alta ou apenas em pensamento.

Alguns egos que talvez não tenham maiscom o que se identificar sobrevivem apenas com queixas. Quando estamos presos aum ego assim, reclamar, sobretudo de alguém, é algo habitual e, é claroinconsciente, o que mostra que não sabemos o que estamos fazendo. Uma atitudetípica desse padrão é aplicar rótulos mentais negativos ás pessoas, seja nafrente delas ou, como é mais comum, falando sobre elas com alguém ou até mesmoapenas pensando nelas. Xingar é o modo mais rude de atribuir esses rótulos e demostrar a necessidade que o ego tem de estar certo e triunfar sobre osoutros:” idiota”, “desgraçado”, “prostituta”,todas essas afimações definitivas contra as quais não se pode argumentar. Nonível seguinte, descendo pela escala da inconsciência, estão os gritos. Nãomuito abaixo disso se encontra a violência física.

O ressentimento é a emoção que acompanhaa queixa e a rotulagem mental dos outros. Ela acrescenta ainda mais energia aoego. Ressentir-se significa  ficar magoado, melindrado ou ofendido.Costumamos nos sentir assim em relação á cobiça das pessoas, á suadesonestidade, á sua falta de integridade, ao que estão fazendo no presente, aoque fizeram no passado, ao que disseram, ao que deixaram de dizer, á atitudeque deviam ou não ter tomado. O ego adora isso. Em vez de de detectarmos ainconsciência nos outros, nós a transformamos em sua identidade. Quem é oresponsável por isso ? Nossa própria inconsciência, o ego. Algumas vezes, a”falta” que apontamos em alguém nem mesmo existe.. Ela pode ser umerro total de interpretação, uma projeção feita por uma mente condicionada aver inimigos e a se considerar sempre certa ou superior. Em outras ocasiões, afalta pode ter ocorrido; contudo, se nos concentrarmos nela, ás vezes excluindotodo o resto, nós a tornamos maior do que é. E dessa maneira fortalecemos emnós mesmos aquilo a que reagimos no outro.

Não reagir ao ego das pessoas é uma dasmaneiras mais eficazes de não só superarmos nosso próprio ego como também dedissolver o ego humano coletivo. No entanto, só conseguimos nos abster dereagir quando somos capazes de reconhecer o comportamento de alguém comooriginário do ego, como uma expressão do distúrbio coletivo da espécie humana.Quando compreendemos que não se trata de nada pessoal, a compulsão para reagirdesaparece. Não reagindo ao ego, muitas vezes, podemos fazer aflorar a sanidadenos outros, que é a consciência não condicionada em oposiçao á consciênciacondicionada. Em determinadas ocasiões, talvez precisemos tomar providênciaspráticas para nos proteger de pessoas profundamente inconscientes. Isso é algoque podemos fazer sem torná-las nossas inimigas.

Nossa maior defesa, contudo, é sermosconscientes. Alguém passa a ser um inimigo quando personalizamos ainconsciência que é o ego. A não-reação não é fraqueza, mas força. Outrapalavra para a não-reação é perdão. Perdoar é ver além. ou melhor,é exergaratravés de algo. È ver, através do ego, a sanidade que há em cada ser humano,como sua essência.

O ego adora reclamar e se ressente nãosó de pessoas como de situações. O que podemos fazer com alguém também podemosfazer com uma circunstância: transformá-la num inimigo. Os pontos implícitossão sempre: isso não deveria estar acontecendo, não quero estar aqui, estouagindo contra minha vontade, o tratamento que estou recebendo é injusto. E, éclaro, o maior inimigo do ego acima de tudo isso é o momento presente ou seja,a vida em si.

Não confunda a queixa com a atitude deinformar alguém de uma falha ou de uma deficiência para que elas possam sersanadas. Além disso abster-se de reclamar não corresponde necessáriamente atolerar algo de má qualidade nem um mau comportamento. Não há interferência doego quando dizemos ao garçom que a comida está fria e precisa ser aquecida-desde que  nos atenhamos aos fatos, que são sempre neutros.  “Como se atreve a me servir uma sopa fria ?” Isso é se queixar. Nessasituação, existe o “eu” que adora se sentir pessoalmente ofendidopela comida fria e ele aproveitará o fato esse fato ao máximo, um”eu” que aprecia apontar o erro de alguém. A reclamação a que merefiro está a serviço do ego, e não da mudança. Algumas vezes fica óbvio que oego não deseja que algo se modifique para que possa continuar se queixando.

Veja se você consegue capturar, oumelhor, perceber,a voz da sua cabeça — talvez no exato instante em que elaesteja reclamando de algo – e reconhecê-la pelo que ela é: a voz do ego, nãomais do que um padrão mental condicionado, um pensamento. Sempre que aobservar, compreenderá que você não é ela, e sim aquele que tem consciênciadela. Na verdade, você é a consciência que está por detrás da voz. Atrás, emsegundo plano está a consciência. À frente, se situa a voz, aquele que pensa.Dessa maneira você estará se libertando do ego, livrando-se da mente nãoobservada. No momento em que você se tornar consciente do ego, a rigor ele nãoserá mais o ego, e sim um velho padrão mental condicionado. O ego implicainconsciência.  Ele e a consciência não conseguem coexistir. O velhopadrão mental, ou o hábito mental, pode sobreviver e se manifestar por um tempoporque tem o impulso de milhares de anos de inconsciência humana coletiva atrásde si. No entanto, toda vez que é reconhecido, ele enfraquece.
Fonte: Um Novo Mundo – O Despertar de UmaNova Consciência  –  Eckhart Tolle

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