A GLÂNDULA PINEAL

Introdução

A glândula pineal tem a forma de um cone de pinha (pinea) e no adulto mede 8 mm de comprimento por 4 mm de largura e pesa 0,1 a 0,2 gramas(11). Apesar de sua anatomia tão discreta está sempre envolta por um misticismo. Citada em várias doutrinas, desde 3.000 anos a. C. na Yoga, no esoterismo, na numerologia ela aparece com alguns pontos em comum do conhecimento humano. No ocidente foi descrita pela primeira vez por Herophilus de Alexandria, por volta do ano 330 a. C., e foi reconhecida como uma glândula por Galeno, em Roma(30), que introduziu o termo “Konareon” para a pineal, pela estrutura em forma de um cone de árvore de pinha, “Pineal” é derivado do latim pinealis, que significa cone de pinha. A glândula Pineal também é conhecida como epífise, mas este termo é muito parecido com Hipófise, que é outra glândula do sistema endócrino, podendo dar margem a confusões, prefiro chamá-la de pineal, por ser mais aceito no campo científico, e também evitando equívocos. Versalius, no século XVI, descreveu elaboradamente a topografia e a consistência da glândula.(30) Descartes, no século XVII, atribuiu a pineal como sendo o ponto de união da alma ou espírito ao corpo biológico.(10)(Figura 1)
Figura 1 – Pineal de Descartes (28)
O Espiritismo no século XIX a coloca como importante região na mediunidade e na deflagração da puberdade. Contemporaneamente, a pineal ressurge como objeto de estudo da Medicina e da Biologia, através de uma revisão da literatura mundial feita por Kitay e Altschule em 1954(17), Outro marco nos estudos da pineal ocorreu em 1959, quando Lerner(21) et al. isolou o hormônio da glândula pineal, a que chamou de melatonina. A partir disso, em vários trabalhos, congressos e simpósios procurou-se esclarecer o papel funcional da pineal. A glândula pineal vem sendo estudada detalhadamente em vários animais e muitos achados demonstram a importância da pineal em vertebrados, mamíferos e humanos. Comum a todos os vertebrados é o caráter endócrino da pineal, cuja secreção é controlada pelo ciclo claro-escuro ambiental(41). Sendo a produção de melatonina exclusivamente noturna, a duração de sua concentração no extracelular depende da duração do período de escuro do ciclo dia-noite.

A concentração plasmática de melatonina também varia de acordo com as diversas estações do ano, que determinam noites com diferentes durações conforme a estação vigente.(30) A pineal é um temporizador do meio interno, estando envolvida na regulação de diversas funções fundamentais para a sobrevivência do indivíduo; regulação endócrina da reprodução, modulador do comportamento sexual, ciclo sono-vigília, regulação do sistema imunológico, regulação do metabolismo intermediário. Relatos ligam a pineal a distúrbios psiquiátricos como SAD (Seasonal Affective Disorder), analgesia e stress, distúrbios dos sono, epilepsia e outras manifestações clínicas, caracterizando a importância do estudo da glândula pineal e do seu principal hormônio, a melatonina.(31)
Bioquímica, Secreção e Biossintese
Em alguns animais, a melatonina é produzida na retina e na pineal, mas, no ser humano, a produção fisiologicamente importante é de origem pineal, já que humanos pinealectomizados não apresentam níveis detectáveis de melatonina circulante(26, 33). A melatonina foi isolada em 1959 por Lerner(90). Este hormônio recebeu o nome grego melas (escuro) e tonos (trabalho). A melatonina, ou N-acetil-5metoxitriptamina, é o maior produto metabólico da pineal. É uma indoleamina com um peso molecular de 232.3(20). A sua síntese depende das condições ambientais de luz(23, 34) e é estimulada por fibras simpáticas pós-ganglionares provenientes do gânglio cervical superior, cuja atividade está sincronizada com a fase escura do ciclo dia-noite. A luz tem ação inibitória.(30)
O Triptofano Serotonina N-Acetilserotonina ( luz) (euforia) NAT HIOMT Melatonina
(enzima responsável (enzima responsável) pela transformação) O estudo da pineal, atualmente, vem tomando grande vulto na prática clínica corrente e isso se deve às descobertas concernentes aos vários aspectos de sua função.
Efeitos Fisiológicos e Patológicos

A pineal é a estrutura responsável pela transmissão de informação fotoperiódica ao organismo, e exerce papel regulatório sobre os mais diversos eventos fisiológicos, metabólicos e comportamentais.(30)
Sono: A melatonina é secretada maximamente durante o sono, que acontece normalmente nas horas de escuridão (noite) É um hormônio produtor de sono. Ela inibe os neurônios serotonigérgicos da formação reticular, que é envolvido no despertar. Os níveis de melatonina declinam com a idade e pessoas mais velhas dormem menos que as jovens.

Doenças Neurológicas: A glândula pineal e a melatonina tem um papel importante na regulação e modulação da atividade elétrica cerebral e vem sendo demonstrado que estão envolvidas nos mecanismos de convulsão. Há também influência no movimento podendo estar envolvida na doença do neurônio motor, esclerose lateral amiotrófica (ELA), na doença de Parkinson. Sistema Imunológico: O sistema imunológico apresenta ritmicidade circadiana e sazonal na maioria das funções, sugerindo que ele possa ser regulado pela pineal. A melatonina age preferencialmente na resposta humoral, estimulando-a.
Câncer: Existe um papel inibitório da pineal no crescimento tumoral. A melatonina vem sendo administrada em humanos e o seu efeito antihumoral depende do fotoperíodo e da hora do dia em que foi administrada, de manhã – inibitória, a noite – estimulatória.

Distúrbios Psiquiátricos: São importantes em certas doenças psiquiátricas como a depressão e a esquisofrenia. Os transtornos sazonais de humor não são incomuns; é um distúrbio psiquiátrico com forte componente anual, conhecido como SAD (Seasonal Affective Disorder), ou o transtorno afetivo sazonal, que se caracteriza por períodos recorrentes de depressão, tipicamente nos meses de inverno, ou seja nos dias mais curtos do ano. É evidente a influência da luz e da melatonina na depressão. A luz melhora e a melatonina piora.
Analgesia e Stress: Há um papel regulador de opióides endógenos na regulação da função pineal. A noite, a melatonina está em alta e as beta-endorfinas estão em baixas. A glândula pineal exerce um papel no stress, provavelmente quando a melatonina é secretada episódicamente durante os períodos de despertar diurnos.
Metabolismo Intermediário: Exerce um papel modulador nos processos metabólicos, em geral e enzimáticos celulares em particular. Em indivíduos normais, a curva glicêmica que segue a uma carga oral de glicose varia de acordo com a hora do dia, atingindo níveis mais altos e persistentes por mais tempo à tarde e a noite.
Outras Manifestações Clínicas: Há vários relatos do papel da glândula pineal em doenças humanas como hipertensão, desordens de mielina, doenças oculares como glaucoma, porfiria, hemocromatose e distúrbios endócrinos.

Sistema Reprodutor: Sendo a pineal o órgão da interface entre o organismo e os eventos cíclicos ambientais, é a responsável pela regulação de todos os eventos fisiológicos necessários à adaptação dos indivíduos às flutuações sazonais. Dentre os eventos sazonais, a reprodução é o evento mais bem estudado(36). Vários estudos epidemiológicos(34) demonstram que os seres humanos apresentam num período do ano, no equinócio da primavera, o aumento na taxa de concepção. Essa incidência anual está estritamente vinculada à latitude e, portanto, ao fotoperíodo da região geográfica considerada. Pode-se considerar então a espécie humana como de reprodução em dias longos e a melatonina, como hormônio de ação antigonadotrófica.(27) A pineal vem sendo correlacionada com a deflagração da puberdade(4). Até 1993 se sabia que a produção de melatonina durante a puberdade apresentava-se diminuída(7). Com as recentes pesquisas está bem estabelecido a importância da pineal no controle do sistema reprodutor. (27) Há evidências de que a diminuição de melatonina seja indutora da puberdade. Há um aumento significante dos níveis de melatonina na telarca(5). Está envolvida na regulação do ciclo menstrual da mulher, já que se observam níveis séricos diminuídos no momento da ovulação e níveis elevados nos dias subsequentes.
Uma outra possível influência da glândula pineal pode ser a sincronização dos ciclos menstruais que se nota em mulheres que passam algum tempo juntas. Num aumento significativo da sincronização dos ciclos entre mulheres que repartem um quarto entre amigas íntimas, ocorreu nos primeiros 4 meses de residência em um dormitório de uma escola feminina.(39)

Sexualidade: Não existem trabalhos quanto ao papel da glândula pineal e a sexualidade humana. Porém em animais, a melatonina inibe o comportamento sexual, e em dias longos há um aumento copulatório. É produzida exclusivamente à noite e a duração de sua concentração no extracelular depende da duração do período de escuro do ciclo dia-noite, variando com as diversas estações do ano.
A influência da pineal em algumas patologias abre um grande campo de pesquisa ainda não totalmente explorado. As indicações relatadas, em trabalhos atuais, da sua participação em grande número de eventos biológicos, não só no homem como em outras espécies, demonstram a importância desse campo de pesquisa ser efetivamente explorado.
É interessante notar como doutrinas milenares já indicaram sua importância, que hoje a ciência consegue provar. A importância do estudo da glândula pineal e da melatonina emerge com mais rigor a partir da hipótese de ela poder servir como instrumento terapêutico. Esta revisão tem como objetivo, também, encorajar o estudo nesse vasto e promissor campo de pesquisa, de onde podem advir grandes descobertas.

A GLÂNDULA PINEAL E OUTRAS DOUTRINAS

Doutrinas Orientais
Nas doutrinas orientais a glândula pineal corresponde ao centro coronário também chamado “chakra” coronário. A palavra chakra é sânscrita, e significa roda, ou disco giratório. É usada por classificar o que amiúde se chama de Centros de Força do Homem. (Figura 7)(31) A energia no interior do chakra deve sair ou entrar de acordo com a direção em que está girando. A direção de seu giro é determinada pela influência das correntes positivas e negativas que são alternadas e que dependem da energia do planeta e do cosmo.(38) O Centro coronário é o sétimo situado no alto da cabeça. Os livros hindus chamam-no lótus de mil pétalas, embora o número exato de força primária seja 960.(32) Estas “pétalas” são uma maneira de descrever a frequência da energia em cada chakra. O número de pétalas em cada lótus é o mesmo que o número de raios que cada roda de força tem (Figura 8)(143). No centro coronário que está na posição da glândula pineal há o desenvolvimento das experiências subjetivas do “Eu Sou”. Precisamos sentir, sempre, o ritmo de dormir e acordar, de inspirar e expirar, e todos os pares de oposições que vem com o mundo objetivo e da forma. São esses ritmos que nos dão a lei cíclica ou periódica em toda manifestação.(38)
Para os hinduistas o despertar do centro coronário corresponde ao coroamento da vida, pois confere ao homem a plenitude de suas faculdades.(19) Os esotéricos referem uma particularidade no desenvolvimento deste chakra. No princípio é, como todos os demais uma depressão do duplo etérico (que é a parte invisível do corpo físico pelo qual fluem as correntes vitais que mantém vivo o corpo, e serve de intermediário entre o pensamento e o corpo físico) pela qual penetra a divina energia procedente do exterior.(32)
Mas quando o homem se reconhece como a luz divina e se mostra magnânimo com tudo que o rodeia, o chakra coronário reverte, por assim dizer, de dentro para fora, e já não é um canal receptor, mas um radiante foco de energia, não uma depressão, mas uma proeminência ereta sobre a cabeça como uma cúpula, como uma coroa.
Força Primária
(Vinda do Astral)
Amarelo
Violeta
Do Centro Cardíaco dando força a elevados pensamentos filosóficos e metafísicos Do Centro Laríngeo
Figura 7 – Chakra coronário – Glândula Pineal. (31)
Figura 8 – Função do centro astral: Completa e aperfeiçoa as faculdades. Função do centro etéreo: Da continuidade à consciência. (32) 9
As imagens pictóricas e esculturais das divindades e excelsas personagens do Oriente, costumam mostrar esta proeminência como se vê na estátua do Senhor Buda em Borobudur (ilha de Java) reproduzida na figura 9 esquerda e aparece sobre a cabeça de milhares de imagens do Senhor Buda no mundo oriental (Figura 9 à direita).(38) Também se nota essa proeminência na simbologia cristã, como, por exemplo nas coroas dos vinte e quatro anciões, que a retiravam diante do trono do senhor. Essa vibração é freqüentemente representada pelos artistas como uma auréola circundando a cabeça de pessoas altamente desenvolvidas ou santas.(38)
Figura 9 -Representações do chackra coronário. (38)
Numerologia Em termos de numerologia a glândula pineal é colocada como o sétimo chakra (Tabela 1) que corresponde a somatória dos 3 princípios ligados a vibrações na porção superior da cabeça mais ligada ao desenvolvimento do espírito com os quatro pontos manifesta-se ao nível da espinha mais ligado a matéria. A alta triplicidade(3) ligado ao espírito e o baixo quaternário(4) ligado a matéria perfazem um total de sete (7). Num estado de adensamento o espírito desce à forma e o número sete é manifestado promovendo as importantes divisões setenárias da cor e do som e dando os sete níveis da consciência do homem. (figura 10)
Tabela 1 – Os sete principais chakras.(40)
Chakra Glândula 7 Cabeça Pineal 6 Testa Pituitária 5 Garganta Tiróide 4 Coração “Glândula Vascular” 3 Plexo Solar Pâncreas 2 Sacro Gônadas 1 “Base” Glândula supra-renal
Cada nível de consciência é uma vibração básica ligada a um elemento. Pela mudança de vibração pode haver a transformação de um elemento em outro. Este processo tem relação com a energia da Terra devido a rotação diurna em torno do seu eixo(38).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.