SAUDE MENTAL

César Grisa
Atualmente vivemos, pensamos e agimos com base no paradigma newtoniano/cartesiano. Um paradigma que estabelece que tudo tem que ser medido, tocado. Diante desta realidade que perdura até os dias atuais, fazemos nossa prática profissional, seja esta qual for, enfermagem, médica, psicológica, etc.
Paradigma é um conjunto de constatações, teorias e saberes que duram enquanto outras descobertas não são realizadas. Durante séculos acreditamos que a terra fosse o centro do Universo. Essa crença resistiu até que algumas pessoas, que detinham um maior poder, fossem convencidas de que essa verdade não mais se sustentava.
Mas, e hoje? Aquilo que aprendemos a acreditar, é verdadeiro? O paradigma em que vivemos, é correto?
Para responder a estas questões precisamos voltar um pouco no tempo.

Quando Sigmund Freud (lê-se Fróid) criou uma forma de compreender melhor nossa Psique, através de uma teoria sobre o nosso inconsciente, a qual ele deu o nome de Psicanálise, suas descobertas revolucionaram e influenciaram a cultura ocidental. Seu entendimento sobre o funcionamento da mente (psique) também foi influenciado pelo paradigma que ainda hoje sobrevive, mas que está em crise. Devido a essa influência, Freud entendeu a dinâmica da mente, ou seja, a maneira como ela funciona, de forma semelhante a uma bomba hidráulica (dinâmica do id, ego e superego).
Hoje estamos vivendo um momento histórico, no qual o Paradigma Cartesiano/Newtoniano não responde mais a evolução que as grandes ciências estão atingindo. Entre elas estão a Física Quântica, a Ciência Genética e algumas correntes psicológicas, como a transpessoal/junguiana, gestalt e bioenergética.
Carl Gustav Jung foi um dos primeiros teóricos da ciência neuropsicológica a perceber e compreender as descobertas de Albert Einstein e o nascimento de um novo paradigma, através de seus trabalhos sobre um inconsciente coletivo e o processo de individuação do ser humano.
Mas o que isso tudo tem a ver com o tema Saúde Mental?
É fato, que ao longo da evolução da tecnologia e do conhecimento médico, criou-se uma necessidade cada vez maior de criarmos especialidades, pois o Universo de cada área do nosso corpo, cresce a medida que a tecnologia avança. Essas subdivisões crescem e se multiplicam ao ponto em que se estamos perdendo completamente a visão de um todo, ou seja, do corpo como um ser de relação e interação com o mundo, um ser no qual, o corpo e seus desequilíbrios, expressam apenas as desarmonias e conflitos interiores. É fato que somos aquilo que pensamos, é fato que nossa mente/cérebro é que move nosso corpo, move nossos sentimentos e emoções e assim move também a nossa realidade, ou seja, tudo o que acontece a nossa volta. Sendo assim, podemos compreender as nossas doenças, nossos desequilíbrios, nossos conflitos como resultados de uma mente “doente”, desorganizada, uma mente em conflito.
A medida em que o mundo se desenvolve, e acelera seu crescimento, mais tomamos nosso tempo com trabalho, buscando desenfreadamente sobreviver. Quando de certa forma asseguramos financeiramente nossa sobrevivência, buscamos ambiciosamente o poder e nunca nos damos por satisfeitos. Esse desespero, essa ansiedade em meio a um mundo cada vez mais veloz e consequentemente sem limites, vem fazendo surgir cada vez mais novos problemas, desequilíbrios e portanto novas doenças. Hoje temos a AIDS, a Síndrome do Pânico, as anorexias e as obesidades mórbidas, como exemplos claros da profundidade dessa relação entre mente e corpo.
Cada vez mais estamos sendo cobrados pela velocidade esmagadora de nossa ambição tecnológica. O trabalho tornou-se símbolo de competitividade e não mais de cooperação para uma melhor qualidade de vida. Isso chegou a tal ponto que este tema tornou-se assunto de profissionais especializados em ensinar como devemos viver.
Atualmente os conflitos e desequilíbrios são cada vez mais constante e encabeçam esse grupo, as depressões, ansiedades e inseguranças.
Os nomes dados a problemas de ordem emocional aumentam a cada dia tanto quanto as novas “doenças” que surgem constantemente. São exemplos desses, os vários tipos de psicoses, neuroses, esquizofrenias, fobias, etc.
Estamos cada vez mais dando nomes a um conjunto de sintomas, sem nos darmos conta de que, no fundo da alma humana só existem dois grandes medos, são esses o medo da morte e o medo de ser punido, ou seja, sofremos por nossas inseguranças e pelos sentimentos de culpa conscientes e inconscientes.
Nossa vida emocional é tão significativa que conforme nosso histórico de vida, nossos pensamentos mais constantes e sentimentos, podemos “desarrumar ou arrumar” nossa “casa” (corpo). Se vivenciamos tristezas constantes e não elaboramos ou compreendemos estas situações, se nos sentimos rejeitados, podemos vivenciar momentos e crises depressivas. Caso esta situação não seja resolvida pelo indivíduo e a situação permaneça por mais tempo, sua mente passa a entender que viver nessa situação é importante para ele, e poderá interromper a produção de componentes químicos importantes para seu humor e tornar uma depressão emocional em um problema químico/emocional, sendo necessário em alguns casos a compensação desta falta via medicação.
É fato, que normalmente buscamos o caminho mais rápido, mais fácil para solução de um problema. Tomar um medicamento que alivia e empurra o problema pra frente é mais fácil que enfrentar a situação, que buscar crescer e aprender com aquele momento. Enquanto isso as multinacionais da farmacologia enriquecem em cima de nossa pobreza de espírito. E a vida segue seu ciclo …
César Antonio Grisa

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.